terça-feira, 4 de outubro de 2011

A criminalização do artista - Como se fabricam marginais em nosso país




Olha, isso é um tapa na cara de nós que fazemos parte dessa massa chamada classe média. Confesso que me senti como marionete sendo manipulado pela mídia. Apesar de ter estudado durante 4 anos sobre a história e cultura de vários povos, inclusive a nossa e sobre a proteção do patrimônio cultural material e imaterial, não tinha me dado conta do quanto a nossa sociedade é hipócrita ao ponto de proibir pessoas de comercializarem o fruto do seu próprio trabalho! tô #indignado com nossa sociedade midiática e imbecil! Somos todos obrigados a viver como robôs, acordando cedo, encarando ônibus lotado e trânsito engarrafado e tudo isso pagando impostos absurdos e aqueles que tentam fugir dessa vida de plástico são tolhidas pela ditadura que é o Estado e a Mídia!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os Escravos: Navio Negreiro

Autora: Miriam de Sales

Era um sonho dantesco.O tombadilho,

que das luzernas avermelha o brilho,

em sangue a se banhar...

(Castro Alves)


Tumbeiros.Assim eram chamados os navios que transportavam escravos,mais parecidos com tumbas,que foram,sim,de muitos.Carregavam 500 a 600 "peças",que era como denominavam os negros;não gente,não pessoa-peças-homens amontoados nos porões,mulheres e crianças,algumas ainda de peito,na coberta.Sujeitas a intempéries,ondas altas a varrer o convés,ratos enormes e vorazes a passear,gozando a sujeira reinante.Era preciso ser uma raça muito forte para resistir a tudo isso!Conte ainda com as chicotadas,a alimentação precaria,e,me diga,se não tinha razão o filósofo Hobbs,quando dizia:"Homo lupi homini"(o homem é o lobo do homem)?De vez em quando,os homens subiam á coberta,para espairecer,respirar ar puro.Eram obrigados a dançar,mover braços,pernas e pulmões entorpecidos;se não dançavam por bem,dançavam no chicote.

Mais uma vez,me ajuda o poeta:"tinir de ferros...estalar de açoites,legiões de homens negros como a noite,

horrendos a dançar...(C.Alves).

De repente,um barco,ao longe.O capitão negreiro quer saber quem é e de onde vem.Era um brigue inglês,caçador de tumbeiros;quando alcançava um,o aprisionava e levava capitão e tripulação a ferros.Então,o que fazia nosso honrado capitão?Abria o porão e jogava a carga ao mar;toda ela,incluindo mães e crianças de colo.

"Senhor Deus dos desgraçados,

dizei-me,Vós,Senhor Deus,se é mentira,se é verdade,

tanto horror perante os céus?

Na verdade todos ganhavam com esse vil comercio;menos os negros,é claro!Ganhavam os régulos ou sobas,negros que vendiam seus irmãos de cor;os negreiros,que faziam o repasse;o governo,que embolsava os melhores ganhos;a parte do leão,era do rei;os comerciantes,que revendiam os negros para os fazendeiros;estes,porque tinham mão de obra barata.Os agentes da Real Fazenda,que recebiam as taxas;os traficantes pagavam ao rei 1$750 reis,por cabeça,isso no inicio do tráfico;Para que se tenha ideia do crescimento desse infame comercio,em 1699,a taxa subiu para 3$500 réis;e,na metade do século XV,para 6$600.Lucrativo,não?Melhor que a Bolsa de Valores.Multiplique isso por 10 milhões de cabeças,que rendiam ganhos diretos;uma fábula!E havia os ganhos indiretos:a força do trabalho que significava mais açucar,mais tabaco,mais algodão,mais gado.

Quando encontrar um negro na rua,tire o chapéu para êle;seus ancestrais sofreram muito,lutaram nuito para desenvolver nossa economia.Seus descendentes,de uma certa forma,ainda são escravos:são escravos da miseria,da ignorancia,do crime,da discriminação;são vítimas de politicas públicas omissas e do preconceito generalizado ou camuflado.São vítimas de todos nós.

Quem me dá a fecha é o poeta dos escravos,Castro Alves:

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo,

o trilho que Colombo abriu nas vagas,

como um íris,no pélago profundo!

Mas,é infamia demais!...Da etérea plaga

levantai-vos herois do Novo Mundo!

Andrada,arranca esse pendão dos ares!

Colombo,fecha a porta dos teus mares!

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Perfil do Autor

Baiana, mulher, 65 anos, professora, escritora amadora, trilingue; gosto de arte, literatura, cinema, viagens.

domingo, 26 de junho de 2011

Ser mineiro

Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer.

É fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer UAI, é ser diferente e ter marca registrada, é ter história.

Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso, conservador, é cultivar as letras e as artes, é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior.

É ser gente .

Fernando Sabino

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